ABA decreta a morte da antropologia

Leiam o seguinte posicionamento da ABA - Associação Brasileira de Antropologia:

Brasília, 08 de julho de 2013.
 
Aos Departamentos de Antropologia e Ciências Sociais
 
A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Associação Brasileira de Antropologia vem, através desta, novamente se dirigir aos departamentos de Antropologia e de Ciências Sociais em relação aos editais de concurso para provimento de cargo de professor de Antropologia nas diversas instituições de ensino superior no Brasil.
Esta iniciativa, que reforça o ofício 043/2007, desta Associação, se deve ao significativo aumento de concursos públicos em nossa área nos últimos anos, bem como pela grande renovação dos quadros docentes nas Universidades.
Deste modo, temos observado com preocupação o fato de que, em alguns destes editais, conste a exigência, para além do título de doutor ou mestre na área, de graduação em Ciências Sociais.
É importante ressaltar que nenhum programa de pós-graduação em Antropologia exige dos candidatos ao mestrado ou doutorado que estes possuam o curso de graduação em Ciências Sociais.
Desta forma, a manutenção desta exigência nos concursos para professor universitário cria uma situação, no mínimo, paradoxal. Por um lado, formamos mestres e doutores que encontrarão, em diversos departamentos de Antropologia, resistência a serem plenamente reconhecidos como antropólogos. Por outro lado, retiram-se da disputa pelas vagas abertas nestes editais, excelentes candidatos que fizeram suas pós-graduações nos programas de Antropologia, unicamente por terem seus bacharelados em outras áreas.
Dado o exposto, a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ABA reitera enfaticamente seu posicionamento já adotado em 2007 e solicita a todos os departamentos de Antropologia e de Ciências Sociais que seja abandonada a prática de se exigir o diploma de graduação em Ciências Sociais nos editais de concurso para professor assistente ou adjunto em Antropologia.
Sem mais pelo momento, despedimo-nos com protestos de estima e consideração.
Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia
 
Fonte: Clique aqui
 
 
Minha Opinião
 
Em minha opinião, os cursos de Ciências Sociais no Brasil estão em fase de morte anunciada, alguns já morreram (aqui no Acre o único de instituição particular fechou), outros ainda rastejam, o que a ABA fez é dá um tiro de misericórdia e assim assina sua postura retrógrada, contribuindo para a eliminação das Ciências Sociais do ensino superior. Toma um postura que tem um viés unicamente utilitarista, já que são inúmeros os profissionais de outras áreas que atuam nas pós-graduações em antropologia. Não me surpreende que muitas universidades tenham aderido à seguinte postura, já que grande parte dos professores dos cursos de Ciências Sociais que conheço não possuem graduação na área. A postura da ABA é um cabal exemplo dos rumos que as Ciências Sociais tem tomado, deixando-se de se tornar ciência e muito menos social, para servir de mero acessório complementar de outras áreas do conhecimento. Um apêndice das motivações iniciais que constituíram uma ciência acadêmica há muitos anos atrás. Em minha opinião também, a antropologia declara-se assim, mais que um apêndice de outras áreas, mas uma disciplina acessória que não requer formação acadêmica, bastando para tal, qualquer profissional, cursar um mestrado ou doutorado, não importando sua área de concentrado. Relembrando a morte anunciada, enquanto as Ciências Sociais rastejam agonizantes em nosso contexto nacional, a antropologia acaba por suicidar-se, consequência histórica de anos de infiltração e esvaziamento por partes de outras áreas. Mas será que ainda temos remédio para a Sociologia?
 
Marcio Bezerra da Costa
Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Acre